O que é Jog-Anon?
Jog-Anon é uma Irmandade de homens e mulheres que são maridos, esposas, parentes e amigos chegados de jogadores compulsivos. VOCÊ NÃO PRECISA ESPERAR QUE O JOGADOR COMPULSIVO PROCURE AJUDA, ANTES DE PODER VIR PARA JOG-ANON. Em Jog-Anon, aprendemos maneiras efetivas de lidar com o problema do jogo. Ao buscar ajuda para nós mesmos e alcançando a serenidade e a paz de espírito, descobrimos que ficamos mais capazes de lidar com nossos problemas em uma base diária, e em alguns casos, motivar o jogador a buscar ajuda.
Uma mensagem de Jog-Anon
A Irmandade de auto-ajuda de Jog-Anon é um instrumento salvador de vidas para o cônjuge, a família ou os amigos mais chegados de jogadores compulsivos. Chegamos ao grupo sentindo-nos sozinhos, assustados, indefesos, desesperados e envergonhados. Hesitamos em compartilhar os problemas e os fracassos, receando que ninguém pudesse entender. O grupo de Jog-Anon é amavelmente receptivo e oferece ao novo membro a identificação. A mensagem que recebemos é a seguinte: - Venham juntar-se a nós, também estivemos sós, com medo e incapazes de lidar com o problema. Iremos compartilhar com vocês um novo e satisfatório modo de vida. Os propósitos de Jog-Anon são três: aprender a aceitar e compreender a adicção ao jogo; usar o programa e suas sugestões para a solução de problemas no auxílio da reconstrução de nossas vidas e dar ajuda adequada ao jogador; e ao nos recuperarmos, então prestar assistência às pessoas que ainda sofrem.
Em Jog-Anon, o membro sentirá o alívio da ansiedade ao aceitar o fato da impotência perante o problema na família. A pesada carga da responsabilidade pelo problema do jogo é tirada dos ombros e a culpa angustiante em relação a fracassos é gradualmente aliviada. A energia desperdiçada em tentativas de impedir entes queridos de jogar, pode ser canalizada para métodos mais úteis de solução de problemas.
O programa sugere que não aceitemos a responsabilidade pelo comportamento do jogador, assumindo apenas a nossa responsabilidade. Prevalece a idéia de que “o jogador jogará enquanto alguém pagar”.
Em Jog-Anon, aprendemos a maneira adequada de nos relacionarmos com o jogador como um igual, ao invés de nos comportarmos como “a mãe” dele. Isto envolve o processo conhecido como “deixar acontecer”, ou desistir de controlar. Ser adulto é dar calor e amor assumindo um papel igual ao do jogador.
É importante para a recuperação que o membro tenha uma visão real do jogo compulsivo, como uma doença emocional. Nesse ponto, entenderemos que o comportamento obsessivo compulsivo, o ato impensado e os jogos são sintomas de uma doença séria. Apesar de termos sido uma peça sem importância no processo do jogo, nossa dor foi um efeito colateral dessa doença, que não foi deliberadamente planejada. Após anos de experiências dolorosas acumuladas, será difícil para nós acabar com a raiva e o ressentimento. O programa de recuperação de Jog-Anon nos oferece ajuda para trabalharmos e resolvermos esses sentimentos.
No caso de o jogador e o membro de Jog-Anon buscarem ajuda ao mesmo tempo, o processo de recuperação será menos complicado. Mas ainda assim há muito para se aprender. Necessitamos estar conscientes de que a recuperação do jogador não pode ser apressada. É importante que encorajemos o jogador, mas precisamos evitar pressioná-lo.
Nossas expectativas em relação aos jogadores deveria ser limitada à sua capacidade de responder. Apesar da comprovação de que o jogo é a batalha de Waterloo para um jogador, ele é também o seu “primeiro amor”. Desistir dele será um incrível empreendimento. Os jogadores podem por vezes mostrar-se irritados, irracionais e difíceis de serem entendidos. Ele precisará de tempo e esforço na luta para parar de jogar. Isso pode incluir muitas noites longe da família, enquanto ele ou ela freqüenta reuniões de grupo que são vitalmente necessárias nesse momento. A compreensão é necessária e isso deveria ser explicado às crianças porque elas também precisarão entender.
Os membros que vêm a Jog-Anon e permanecem para encontrar ajuda para si, independente da recusa do jogador em corresponder, são merecedores de muita admiração. O seu papel é de extrema dificuldade. O jogador pode ressentir-se da freqüência a Jog-Anon e pode ver nisso uma tentativa de interferência na sua vida. Fica a esperança de que o jogador venha a ser motivado a buscar ajuda, mas a recuperação não deveria depender do jogador.
Uma Mensagem de Ruth S., Fundadora de Jog-Anon
As reuniões de Jog-Anon propiciam uma oportunidade para que se estabeleçam laços muito fortes entre as pessoas afetadas pelo problema do jogo compulsivo.
A Irmandade de Jogadores Anônimos aprecia imensamente o fato de que a Irmandade de Jog-Anon existe. Reconhecemos que existe ajuda para a família do jogador compulsivo, o que nos capacita a aprender como nos comunicar uns com os outros, e iniciar um novo e construtivo modo de vida, em crescimento mútuo, livres da culpa e do remorso do passado.
Uma das conseqüências trágicas do jogo compulsivo é a deterioração que ele causa em nossas relações com aqueles que mais se importam conosco: nossas mães e pais e filhos e filhas, mas especialmente com nossos parceiros de casamento – maridos ou esposas, como for o caso. Numericamente e na parcela de sofrimento que tiveram que suportar, são os cônjuges as vítimas principais da nossa doença. É a elas e eles que este capítulo é dedicado, apesar do seu conteúdo poder ser de igual interesse para outros dentre nossos parentes mais próximos.
Como Jog-Anon começou
Vim para minha primeira reunião com meu marido, em junho de 1960, no Oxford Hotel, na cidade de Nova Iorque. Fomos, depois que lemos um artigo de jornal, que dizia que iniciara-se uma reunião de Jogadores Anônimos em Nova Iorque.
Fomos acolhidos por seis homens e três esposas. As esposas ficaram em lugar diferente da reunião de Jogadores Anônimos compartilhando nossas experiências e nos identificando com os problemas umas das outras. Assim continuamos por duas semanas, quando começamos a perceber que precisávamos de algo mais para nós. Necessitávamos de um programa de apoio.
Entramos em contato com Sybil W., a esposa de Jim W. (o fundador de Jogadores Anônimos). Ela sugeriu que iniciássemos nosso próprio grupo de apoio, com o nome de Jog-Anon. Contando com a ajuda de alguns membros de Al-Anon, fizemos nossa primeira reunião de Jog-Anon. Copiamos a literatura de Al-Anon e a palavra álcool foi substituída por jogo.
Meu marido havia parado de jogar e ambos continuávamos a freqüentar regularmente as reuniões.
Quando vim para o Programa, esperava que as nossas vidas e as dos outros ficassem livres de problemas, já que o jogo havia terminado. Mas comecei a ver que muitas daquelas famílias não estavam tão felizes quanto deveriam. Era muito importante para nós entender a respeito do jogo e oferecer todo o amor e cooperação possível, para que pudéssemos ajudar o jogador compulsivo. Nossa maneira de pensar também precisava ser reavaliada. Estávamos todas muito ansiosas para aprender mais a respeito da doença.
Para realizar esse objetivo, fomos guiadas por nossos Doze Passos de Unidade & Recuperação, que tomamos emprestado de Al-Anon. Aderimos diligentemente a esses Passos. Essa foi a nossa espinha dorsal. Também foi importante tentarmos manter nosso anonimato, para poder servir de exemplo e encorajar o espírito de outros membros de Jog-Anon.
Começamos a notar que por causa da mudança na nossa maneira de pensar e nas nossas atitudes, uma pequena mudança foi acontecendo no jogador compulsivo. Desligar-nos, com amor, estava começando a funcionar para nós.
Uma das coisas mais importantes que aprendemos foi que proteger os jogadores compulsivos de encarar as conseqüências das suas ações, era um empecilho para eles.
Jog-Anon continuou a crescer e, com o crescimento contínuo, foi constituída em pessoa jurídica em 15 de maio de 1969, no Estado da Califórnia, declarada sem fins lucrativos em nível federal e veio a ser conhecida como Jog-Anon Inc.
A primeira Reunião do Conselho de Delegados foi realizada em 1970. De acordo com os Regulamentos, realizaram-se eleições e um Conselho de Delegados foi eleito para o período de dois anos. Em 1972, realizaram-se eleições em outros Estados e obtiveram-se representantes de costa a costa.
O primeiro escritório de Jog-Anon foi alugado em 1971 continuando em operação até 1979.
Em 1979, o Conselho de Delegados recomendou e votou para que o Escritório Nacional de Serviço de Jog-Anon da Califórnia fosse transferido para o Estado de Nova Iorque, onde havia o maior número de membros. Obteve-se um novo registro jurídico, conhecido como Escritório Internacional de Serviço de Jog-Anon Inc. O escritório agora era dirigido por dois novos membros executivos.
A influência de Jog-Anon é muito importante. Muitas pessoas são afetadas por apenas um jogador compulsivo. Até à presente data, o número de grupos de Jog-Anon é mais de 500, no mundo inteiro.
Nosso sucesso depende da identificação e do entendimento.
Muitos de nós, inclusive eu, viemos ao programa junto com um jogador compulsivo. Aprendemos como tentar separar a pessoa do jogador e tentar praticar o distanciamento com amor.
Trabalhando o Programa de Jog-Anon, descobri que não poderia modificar ninguém além de mim. Ao concentrar-me mais em mim mesma, comecei a juntar força e confiança.
Com o tempo, vivenciei bastante crescimento, não sem dor, mas com uma sensação de realização. Minha vida tem sido enriquecida com a ajuda de Jog-Anon. Descobri que nada era impossível enquanto tivesse esperança e o desejo de tentar.
Serei sempre grata às alegrias, profunda compreensão e compaixão que todas compartilhamos.